Monja Coen Roshi

Cerimônia de Obon

Rê, no texto tem uma referência a um desenho, esse desenho existe? Tá em vermelho no texto.
 
(CHAPÉU)
CERIMÔNIAL
 
OBON URABON BON FESTIVAL
 
Desde o século VIII até hoje há uma série de práticas budistas baseadas no ritual de alimentar espíritos famintos, de cuidar dos espíritos dos ancestrais e de pessoas falecidas da família. Essas práticas são derivadas de um Sutra, conhecido como Urabonkyo em japonês. O Ullambana Sutra é considerado um texto apócrifo — isto é, que teria sido supostamente escrito na Índia, mas foi na verdade escrito na China. É desse sutra que se deriva o nome do festival. Urabon é abreviado para “Bon” e a vogal “O” é honorífica.
 
O sutra Ullambana, ou Urabonkyo, foi provavelmente escrito na China no século VI e ajudou a sanga budista a se estabelecer como participante dos hábitos chineses de adoração aos ancestrais. Mas também se baseava em precedentes indianos sobre a idéia de dedicar mérito para auxiliar espíritos dos ancestrais das pessoas que mantinham a Sanga.
 
Eruditos debatem sobre a etimologia do termo budista em sânscrito, Ullambana, mas sua derivação permanece obscura. Uma das teorias é que se origine do sânscrito Avalambana, que significa estar pendurado de cabaça para baixo — uma possível referência aos estados dolorosos de espíritos deixados pendurados: aqueles que não tinham descendentes vivos para fazer ofertas rituais.
 
Outra teoria é a de que ullambana vem de uruban, uma palavra persa para os espíritos dos mortos. A etimologia folclórica é que ulllambana se refere às tigelas usadas para fazer ofertas aos espíritos, e que os chineses teriam acrescentado uma outra pincelada no caractere para corresponder ao som de ullambana.
 
De qualquer maneira o Ullambana Sutra ensina o modo tradicional de adoração ancestral chinesa, que envolve oferecer alimentos (kuyo) aos espíritos, colocando comida e bebida no altar. No entanto, estas oferendas não podem ser absorvidas pelos ancestrais se seus karmas tivessem sido negativos, ou se eles tivessem se tornado espíritos famintos. O sutra ilustra esse ponto com a história do monge Mokuren (sânscrito Maudgalyayana), cuja mãe havia renascido como um espírito faminto, incapaz de receber as ofertas que ele dava. Para ser verdadeiramente filial, segundo o Sutra, ele deveria primeiramente fazer doação aos monges e monjas — o mais fértil campo de mérito — criando assim karma positivo para usar essa força ao fazer ofertas a seus ancestrais e dar a eles um estado de existência mais feliz. Segundo o Sutra, Xaquiamuni Buda diz o seguinte a Mokuren:
 
No décimo quinto dia do sétimo mês, dia no qual os Budas se alegram, dia no qual os monges e monjas saem do treinamento intensivo, deve-se colocar alimentos e bebidas de um dos cem sabores dentro de uma tigela yulan e doar aos monásticos nas dez direções.
Quando as preces terminarem, os pais obterão longa vida, passando cem anos sem doenças e sem nenhuma espécie de sofrimentos, enquanto sete gerações de ancestrais deixarão os estados de sofrimento, de espíritos famintos, obtendo renascimento entre divindades e seres humanos com bênçãos ilimitadas.
 
O Ullambana Sutra explicava a prática de alimentar espíritos famintos (segaki), também conhecido como “salvar as bocas queimantes”. Esta prática se tornou tremendamente popular do século VII em diante e ajudou a associar a Sanga budista aos hábitos chineses de adoração ancestral. Isso ajudou a reduzir as críticas aos monges e monjas celibatários, que não produziam descendentes para cuidar de seus ancestrais.
 
Durante esse festival dos espíritos, a Sanga também se promovia como uma organização de caridade, cuidando e aplacando espíritos potencialmente perigosos, que sem família poderiam assaltar o estado imperial e a população em geral.
 
Alimentar os espíritos famintos também exprime o ideal Mahayana da Compaixão Universal e envia a mensagem de que a família de Buda inclui todos os seres vivos.
 
A data tradicional para o Festival de Obon é o décimo quinto dia do sétimo mês pelo calendário lunar chinês. Desde que o Japão adotou o calendário gregoriano, algumas partes do país o celebram no dia 15 de agosto — a data mais próxima de 15 de julho do calendário lunar.  Outros o celebram no próprio dia 15 de julho.
 
Segundo a crença popular japonesa, Obon é a época em que os ancestrais retornam para visitar o mundo dos vivos, devendo ser cumprimentados com grande respeito. As pessoas limpam os túmulos da família e fazem ofertas de frutas, flores, velas e incenso. Convidam monges e monjas às suas casas para fazerem a leitura de Sutras e serviços memoriais em frente aos tabletes (ihais) dos falecidos.
 
Uma vez que os espíritos precisam ser orientados através da escuridão, algumas vezes lanternas ou candelabros são acendidos nos túmulos. Em algumas comunidades, velas são colocadas em barquinhos de papel e jogadas nos rios. Na cidade de Kyoto, um grande fogo é aceso na montanha com a forma do caracter Grande (Dai). Durante a semana de Obon, a maioria dos templos faz as preces em um altar especial, para os espíritos dos três mundos (sangai no banrei), e entoa o Kanromon (Portal do Doce Nectar). O mérito é dedicado aos espíritos dos falecidos.
 
Nessa época do ano os familiares se reúnem na casa do irmão ou irmã mais antiga, ou mais próxima da casa ou túmulo dos ancestrais. Há muita alegria, alimentos especiais da época (verão no Japão) e a dança tradicional de roda, para que os falecidos vejam como a família está bem e feliz, saudável e contente, e possam assim ficar em paz.
 
Nas casas os tabletes memoriais (ihais) são colocados em um altar especial como o do desta página.
 
Lembrem-se de invocar seus ancestrais, fazer ofertas e preces, vir ao templo e agradecer por suas vidas, dançando e cantando com alegria.
Rê, no texto tem uma referência a um desenho, esse desenho existe? Tá em vermelho no texto.

Altar da Cerimônia de Obon

OBON URABON BON FESTIVAL

Desde o século VIII até hoje há uma série de práticas budistas baseadas no ritual de alimentar espíritos famintos, de cuidar dos espíritos dos ancestrais e de pessoas falecidas da família. Essas práticas são derivadas de um Sutra, conhecido como Urabonkyo em japonês. O Ullambana Sutra é considerado um texto apócrifo — isto é, que teria sido supostamente escrito na Índia, mas foi na verdade escrito na China. É desse sutra que se deriva o nome do festival. Urabon é abreviado para "Bon" e a vogal "O" é honorífica.
O sutra Ullambana, ou Urabonkyo, foi provavelmente escrito na China no século VI e ajudou a sanga budista a se estabelecer como participante dos hábitos chineses de adoração aos ancestrais, mas também se baseava em precedentes indianos sobre a idéia de dedicar mérito para auxiliar espíritos dos ancestrais das pessoas que mantinham a Sanga.
Eruditos debatem sobre a etimologia do termo budista em sânscrito, Ullambana, mas sua derivação permanece obscura. Uma das teorias é que se origine do sânscrito Avalambana, que significa estar pendurado de cabaça para baixo — uma possível referência aos estados dolorosos de espíritos deixados pendurados: aqueles que não tinham descendentes vivos para fazer ofertas rituais.
Outra teoria é a de que ullambana vem de uruban, uma palavra persa para os espíritos dos mortos. A etimologia folclórica é que ulllambana se refere às tigelas usadas para fazer ofertas aos espíritos, e que os chineses teriam acrescentado uma outra pincelada no caractere para corresponder ao som de ullambana.
De qualquer maneira o Ullambana Sutra ensina o modo tradicional de adoração ancestral chinesa, que envolve oferecer alimentos (kuyo) aos espíritos, colocando comida e bebida no altar. No entanto, estas oferendas não podem ser absorvidas pelos ancestrais se seus karmas tivessem sido negativos, ou se eles tivessem se tornado espíritos famintos. O sutra ilustra esse ponto com a história do monge Mokuren (sânscrito Maudgalyayana), cuja mãe havia renascido como um espírito faminto, incapaz de receber as ofertas que ele dava. Para ser verdadeiramente filial, segundo o Sutra, ele deveria primeiramente fazer doação aos monges e monjas — o mais fértil campo de mérito — criando assim karma positivo para usar essa força ao fazer ofertas a seus ancestrais e dar a eles um estado de existência mais feliz. Segundo o Sutra, Xaquiamuni Buda diz o seguinte a Mokuren:
No décimo quinto dia do sétimo mês, dia no qual os Budas se alegram, dia no qual os monges e monjas saem do treinamento intensivo, deve-se colocar alimentos e bebidas de um dos cem sabores dentro de uma tigela yulan e doar aos monásticos nas dez direções.
Quando as preces terminarem, os pais obterão longa vida, passando cem anos sem doenças e sem nenhuma espécie de sofrimentos, enquanto sete gerações de ancestrais deixarão os estados de sofrimento, de espíritos famintos, obtendo renascimento entre divindades e seres humanos com bênçãos ilimitadas.
O Ullambana Sutra explicava a prática de alimentar espíritos famintos (segaki), também conhecido como "salvar as bocas queimantes". Esta prática se tornou tremendamente popular do século VII em diante e ajudou a associar a Sanga budista aos hábitos chineses de adoração ancestral. Isso ajudou a reduzir as críticas aos monges e monjas celibatários, que não produziam descendentes para cuidar de seus ancestrais.
Durante esse festival dos espíritos, a Sanga também se promovia como uma organização de caridade, cuidando e aplacando espíritos potencialmente perigosos, que sem família poderiam assaltar o estado imperial e a população em geral.
Alimentar os espíritos famintos também exprime o ideal Mahayana da Compaixão Universal e envia a mensagem de que a família de Buda inclui todos os seres vivos.
A data tradicional para o Festival de Obon é o décimo quinto dia do sétimo mês pelo calendário lunar chinês. Desde que o Japão adotou o calendário gregoriano, algumas partes do país o celebram no dia 15 de agosto — a data mais próxima de 15 de julho do calendário lunar. Outros o celebram no próprio dia 15 de julho.
Segundo a crença popular japonesa, Obon é a época em que os ancestrais retornam para visitar o mundo dos vivos, devendo ser cumprimentados com grande respeito. As pessoas limpam os túmulos da família e fazem ofertas de frutas, flores, velas e incenso. Convidam monges e monjas às suas casas para fazerem a leitura de Sutras e serviços memoriais em frente aos tabletes (ihais) dos falecidos.
Uma vez que os espíritos precisam ser orientados através da escuridão, algumas vezes lanternas ou candelabros são acendidos nos túmulos. Em algumas comunidades, velas são colocadas em barquinhos de papel e jogadas nos rios. Na cidade de Kyoto, um grande fogo é aceso na montanha com a forma do caracter Grande (Dai). Durante a semana de Obon, a maioria dos templos faz as preces em um altar especial, para os espíritos dos três mundos (sangai no banrei), e entoa o Kanromon (Portal do Doce Nectar). O mérito é dedicado aos espíritos dos falecidos.
Nessa época do ano os familiares se reúnem na casa do irmão ou irmã mais antiga, ou mais próxima da casa ou túmulo dos ancestrais. Há muita alegria, alimentos especiais da época (verão no Japão) e a dança tradicional de roda, para que os falecidos vejam como a família está bem e feliz, saudável e contente, e possam assim ficar em paz.
Nas casas os tabletes memoriais (ihais) são colocados em um altar especial como o do desta página.
Lembrem-se de invocar seus ancestrais, fazer ofertas e preces, vir ao templo e agradecer por suas vidas, dançando e cantando com alegria.

Ilustração do altar: Nícholas Baroncelli Torretta