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Banmin Tokuyô - A Prática das Virtudes para todo o Povo

por Suzuki Shôsan (1579-1655)

1. Votos Relativos à Prática

Disse o Buda:

“A Lei de Buda deve ser difundida através dos reis, ministros e devotos de fé sincera e inquebrantável.”1

Assim, sem as devidas providências oficiais, não pode haver uma correta manifestação da Lei de Buda.

O Buda é aquele que é plenamente dotado de todas as virtudes. Assim, aquele que se entrega à prática sem compreender a plenitude das virtudes, não é discípulo de Buda. Oxalá seja possível praticar com o objetivo de alcançar a plenitude das virtudes.

O Buda, o Dharma e o Sangha são chamados as Três Jóias. Aquele que se entrega às práticas sem o objetivo de oferecê-las ao povo, convertendo-as na riqueza do país, não pode ser considerado monge budista. Oxalá seja possível praticar com as Três Jóias como objetivo.

A Lei de Buda é aquela que proporciona a Realização Búdica. Entretanto, há concepções certas e errôneas a respeito da Realização Búdica. Se desconhecermos as diferenças entre certo e errôneo, toda a Lei será pervertida. Oxalá seja possível praticar com os olhos fixos na Realização Búdica.

A prática da Lei de Buda é uma Lei que conduz à libertação dos Três Mundos2. Por isso é chamada o abandono da condição profana3. Se não houver o objetivo de libertar-se dos Três Mundos, não haverá genuíno abandono da condição profana. Oxalá seja possível praticar com o objetivo da libertação dos Três Mundos.

Buda disse que aquele que penetrar no mundo profano e dominá-lo plenamente realizará a Lei Búdica com total perfeição. Essa frase explica que a Realização Búdica pode ser alcançada na condição profana. Assim, a Lei do mundo profano é a própria Lei Búdica. O Avatamsaka Sutra diz que a Lei Búdica não difere da Lei do mundo profano e que a Lei do mundo profano não difere da Lei Búdica. Se uma pessoa não considerar a verdade da Realização Búdica no mundo profano, ela desconhecerá todas as intenções búdicas. Oxalá seja possível converter a Lei do mundo profano na Lei Búdica.

Observando-se as regras de entronização das imagens búdicas, vemos que no umbral são colocadas as imagens dos Devas Guardiões e na nave as dos Doze Devas Protetores, dos Dezesseis Devas Protetores do Sutra da Perfeição da Sabedoria , dos Oito Senhores do Raio, dos Quatro Guardiões dos Pontos Cardeais e dos Cinco Senhores da Sabedoria4, todos eles em atitude belicosa, vestindo armaduras e portando lanças, espadas, bastões, arcos e flechas. Aquele que se entrega às práticas sem compreender o profundo significado disso não poderá dominar os sentidos rebeldes e as paixões agitadas. Se a prática for feita negligentemente, não haverá a verdadeira compreensão desse ponto. Oxalá seja possível praticar com os olhos fixos nas imagens búdicas.

A Lei de Buda é aquela que elimina o mau coração dos homens, como poderão os discípulos de Buda deixar de considerar esse ponto? Entretanto, atualmente as práticas que conduzem à realização da intenção búdica são negligenciadas, as pessoas se apegam a lucros e honrarias, caindo nos caminhos do mal. Não desejo outra coisa a não ser que os discípulos de Buda penetrem no Caminho da Verdade e guiem os seres perdidos.


2. A Prática das Virtudes das Três Jóias

  • 1º Tesouro da Lei de Buda: aplicar-se à coragem guerreira.
  • 2º Tesouro da Lei de Buda: aplicar-se às leis.
  • 3º Tesouro da Lei de Buda: aplicar-se corretamente às Cinco Virtudes5.
  • 4º Tesouro da Lei de Buda: aplicar-se às artes.
  • 5º Tesouro da Lei de Buda: aplicar-se a uma diretriz de vida.
  • 6º Tesouro da Lei de Buda: agir sem se apegar ao bem ou ao mal.
  • 7º Tesouro da Lei de Buda: agir com perfeita tranqüilidade de corpo e de espírito.
  • 8º Tesouro da Lei de Buda: aplicar-se a todas as ações boas e virtuosas.
  • 9º Tesouro da Lei de Buda: curar as doenças da mente6.
  • 10º Tesouro da Lei de Buda: permanecer na Terra Pura da Suprema Alegria7.

Buda, manifestando-se neste mundo, ofertou ao mesmo as Três Jóias, mas quando os monges não se entregam às práticas, o brilho das Três Jóias se oculta e seus benefícios não atingem o mundo. Ser monge significa libertar-se dos Três Mundos. Não havendo práticas de libertação, não haverá um verdadeiro monge. O médico cura as doenças do corpo e o discípulo de Buda é aquele que cura as doenças do espírito, as paixões e o sofrimento proveniente das más ações passadas. Não havendo uma verdadeira intenção de realizar o Caminho, isso não é possível. Se a Grande Lei de Buda não for uma riqueza para o mundo profano, o nome das Três Jóias não passará de uma mentira.

1) A prática da Lei de Buda é o combate aos sentidos rebeldes e às paixões. Não será possível realizá-la se a mente for fraca. É necessário ter o coração firme e sólido como o Corpo da Lei de Buda, manter na vanguarda da Confiança Plena, da Coragem e da Perseverança, usar a espada do Vazio Original para cortar o egoísmo, o apego e os pensamentos errôneos, avançar rápida e firmemente, manter-se vigilante as doze horas do dia, permanecer com o coração inquebrantável e duro como o diamante tanto na vigília como no sonho, amadurecer a mente de maneira natural e espontânea, eliminar as oposições entre sujeito e objeto para realizar a Unidade, destroçar completamente os exércitos diabólicos da consciência condicionada8 e da ignorância, despertar imediatamente dos sonhos da ilusão, destruir o erro de tomar o irreal pelo real, destruir os inimigos que são o nascimento e a morte, fixar a morada na Capital da Perfeição da Sabedoria e manter a Grande Paz. Nisso consiste o aplicar-se à coragem guerreira.

2) A prática da Lei de Buda é a obediência rigorosa aos preceitos, sem jamais violar os ensinamentos dos Budas e Patriarcas. É dominar a mente desviada e imperfeita e convertê-la na mente correta. É discernir a razão e o injusto, mas saber desapegar-se da razão. É ter em mente constantemente o significado que está além do significado. É guiar o povo com coração compassivo e honesto. Nisso consiste o aplicar-se às leis.

3) A prática da Lei de Buda consiste em abandonar o ponto de vista egoísta, compreender a não-discriminação entre o eu e o outro, aplicar as Seis Harmonias9, ter o coração puro e sincero, grato em relação aos Quatro Benefícios10 e sempre pronto a guiar as três classes de seres viventes11. Nisso consiste o aplicar-se corretamente às Cinco Virtudes.

4) A prática da Lei de Buda consiste em abandonar os conceitos e discriminações, em libertar-se dos pensamentos de apego, em atingir um estado impessoal e despido de egoísmo, agindo de maneira livre segundo as circunstâncias. Nisso consiste o aplicar-se às artes.

5) A prática da Lei de Buda consiste em eliminar os desejos negativos, tornando-se dessa maneira livro do orgulho, da lisonja, da avidez e do apego a honras e vantagens. Nisso consiste o aplicar-se a uma diretriz de vida.

6) A prática da Lei de Buda consiste em eliminar todo e qualquer pensamento de discriminação, em triunfar de todos pensamentos e permanecer estável na Mente Una12. Nisso consiste o aplicar-se a todas as ações, mas agindo sem se apegar ao bem ou ao mal.

7) A prática da Lei de Buda consiste em extinguir todos os impedimentos condicionados pelas más ações passadas e em libertar-se de todo o sofrimento. Nisso consiste o agir com perfeita tranqüilidade de corpo e de espírito, como guerreiro, agricultor, artesão ou comerciante.

8) A prática da Lei de Buda consiste em afastar da mente a impureza, a mácula e o mal, mantendo-a pura e desimpedida, transformando o sofrimento em alegria e convertendo o mal em bem. Nisso consiste o aplicar-se a todas as ações boas e virtuosas.

9) A prática da Lei de Buda consiste em afastar da mente a ilusão e as trevas, em purificá-la dos três venenos13. Nisso consiste o curar as doenças da mente, eliminando as paixões.

10) A prática da Lei de Buda consiste na superação dos fenômenos contingentes e relativos e no retorno à Pura Natureza Original. Nisso consiste o permanecer na Terra Pura da Suprema Alegria, num estado que transcende o nascimento e a extinção.

O Buda é aquele que é plenamente dotado de todas as virtudes. As riquezas da Lei de Buda são imensuráveis e inesgotáveis. Entretanto, quando o discípulo de Buda se mantém apegado a honras e vantagens, as Três Jóias perdem sua eficácia e seu brilho, perdendo-se todo o povo nas trevas da noite profunda da ignorância. Quando o discípulo de Buda, obedecendo a vontade búdica, se aplica ao Caminho da Libertação, o poder e o brilho das Três Jóias se manifestam, iluminando o país e trazendo paz à mente dos seres viventes. Ah! Quão triste e lamentável é a revolta dos discípulos de Buda contra a Verdade Búdica!


3. As Quatro Ordens

a) Preceitos para os Guerreiros

Um guerreiro perguntou:

– Dizem que a Lei de Buda e a Lei profana se completam como as duas rodas de um carro. Entretanto, mesmo que não tenhamos a Lei de Buda, nada faltará ao mundo profano. Como, pois, são comparadas às duas rodas de um carro?

Minha resposta:

– A Lei Búdica e a Lei profana são uma só. Buda disse que aquele que mergulhar no mundo profano e dominá-lo plenamente realizará a Lei de Buda com total perfeição. Tanto a Lei de Buda como a profana consistem apenas em retificar a vida, praticar a justiça e usar de honestidade. Existe uma honestidade profunda e uma superficial. O honesto no mundo profano é aquele que não se desvia da razão, defende a justiça, pratica corretamente as Cinco Virtudes e age corretamente em relação às coisas, de maneira impessoal. Este é o caminho que leva do superficial ao profundo. O honesto do ponto de vista da Lei de Buda é aquele que compreende todos os fenômenos contingentes como sendo de natureza falsa, vazia e ilusória. Agir conforme o Corpo da Lei Original, de maneira espontânea e natural, eis em que consiste a verdadeira honestidade.

O homem profano é um doente em estado grave e o Buda é um grande médico. O homem profano precisa em primeiro lugar conhecer sua doença. Em seu coração, pleno da ignorância que caracteriza o mundo dos nascimentos e das mortes, traz ele as doenças da visão distorcida, da confusão e do engano, as doenças do desejo e da visão errônea e as doenças da falta de coragem e da injustiça. Tendo por base os três venenos, surgem as incontáveis doenças das paixões. A Lei de Buda é a que proporciona a extinção desses estados mentais. Em que difere isso das Leis do mundo profano?

O homem que realizou plenamente o Caminho é aquele que conhece a razão do Vazio Original, que depura a razão e a justiça, que dia e noite dá polimento e adestramento a sua mente, que se limpa das máculas das impurezas e do mal, que cria uma espada mental de pureza para cortar as raízes psíquicas do egoísmo e do apego, que triunfa de todos os pensamentos, que cavalga sobre todas as coisas, que não se deixa perturbar por elas e que vive num estado além do nascimento e da extinção. Assim é o Homem do Caminho.

O homem profano é aquele que toma as ilusões fugazes pelo Real, que cria uma mente egoísta e apegada e que manifesta todas as paixões, a começar pela ignorância, pela cólera e pelo desejo, esquecendo-se da Mente Original. É aquele cuja mente está submersa, que desperdiça em vão seus dias nas trevas, que se ilude consigo mesmo e se apega às coisas. Tal é o estado de espírito do homem profano.

É necessário saber os nomes da Mente Original. É ela chamada “A Essência Diamantina” ou “O Sólido e Inquebrantável Corpo da Lei”. Essa Mente não se deixa abalar pelas coisas, é impávida, destemida, inabalável, jamais recua, é imóvel e se converte na senhora de todas as coisas. Aquele que age completamente dessa maneira é chamado de Grande Homem, de Homem de Coração de Ferro, de Homem Realizado no Caminho. Tal homem não se deixa enredar por nenhum pensamento, domina todas as coisas e é plenamente livre. Assim, o praticante do Caminho Búdico não poderá se realizar se primeiramente não tiver coragem. Não se pode penetrar no Caminho de Buda com uma mente fraca. Se a pessoa não se defender com firmeza e não praticar com energia, sofrerá as angústias que acompanham as paixões. O Praticante do Caminho é aquele que com uma mente inquebrantável triunfa de todas as coisas. O homem profano é aquele com pensamentos de apego se deixa dominar por todas as coisas e sofre por isso. Aquele que tem sua mente presa às paixões pode eventualmente se animar com grande coragem e manifestar um poder capaz de romper paredes de ferro, mas chegará uma ocasião em que a mente se transformará e esse ímpeto se esgotará. A mente daquele que é realmente corajoso e imóvel jamais se modificará. Aquele que é guerreiro não deixará de se tornar um corajoso autêntico se praticar o que foi exposto.

Mesmo aquele que, com a mente tomada pelas paixões, zomba dos fortes, ao chegar a hora de sua morte, ao ser assaltado pelo mortífero demônio da impermanência, perde sua coragem e não consegue mobilizar forças. Quanto tenta abrir os olhos, não distingue as formas, o ouvido e a língua se tornam embotados e ele perde a faculdade da fala. Os demônios mortíferos atacam a mente, procuram destruir todos os órgãos internos, dificultam as inspirações e expirações e produzem uma grande dor que penetra todos os ossos e poros do corpo. A mente se acovarda perante o demônio mortífero da impermanência e encontra dificuldade em superar o grande passo da morte. Afoga-se nas águas do rio Sanzu14 e exibe uma atitude vergonhosa no tribunal de Yama15. Por longo tempo se torna prisioneiro dos planos do mal e do sofrimento e não consegue nem por si mesmo nem com auxílio alheio se livrar de passar vergonha em muitas e muitas vidas sucessivas. Os homens deste mundo impermanente não conhecem essa vergonha, como eles afirmar que ela não seja penosa? As simples vergonhas desta humanidade irreal já são penosas. Muito mais o são aquelas que se estendem por toda uma eternidade no futuro. Quem não conhece estes princípios não pode ser considerado conhecedor da Razão, não poder ser chamado de justo. Tudo isso precisa ser profundamente meditado. Aquele que conhece a razão precisa temer tudo isso. Aquele que possui a justiça empregará a inquebrantável espada mental da coragem para destruir o inimigo que é o mundo dos nascimentos e mortes e descansará na Suprema Paz.

Uma pergunta:

– Já compreendi perfeitamente que o objetivo da prática do Caminho de Buda é conhecer a razão, praticar a justiça e alcançar a honestidade. Gostaria agora que explicasse detalhadamente a necessidade de praticar o Caminho da Honestidade.

A resposta:

– Há uma enorme variedade de caminhos de prática, mas o importante é apenas pensar em si mesmo e triunfar dos pensamentos. A origem dos sofrimentos está em si mesmo, no pensamento fixado no ego. Quem compreende isso alcança a razão. Aquele que conhece essa razão desenvolve forças e com uma mente verdadeiramente corajosa triunfa desse pensamento fixo. Isso se baseia essencialmente na justiça. Aquele que desconhece a razão não pode discernir a origem do sofrimento e do prazer, aquele que não pratica a justiça não pode romper os laços dos nascimentos e das mortes. É preciso fixar o olhar com firmeza. A mente do homem profano vem à tona quando triunfa das coisas e submerge quando é derrotado por elas16. Aquele cuja mente vem à tona está no umbral do Mundo de Buda, aquele cuja mente submerge está no caminho da prisão. É necessário manter noite e dia a mente que vem à tona, com o poder do voto de alcançar a libertação. Aqui temos alguns exemplos de mentes que vêm à tona, cuja essência está na coragem:

  • A mente que discerne os nascimentos e as mortes.
  • A mente grata aos benefícios recebidos.
  • A mente que sempre avança na vanguarda.
  • A mente que conhece o Princípio de Causa e Efeito.
  • A mente que contempla a impermanência e a ilusão.
  • A mente que contempla as impurezas de nosso corpo de carne.
  • A mente que procura aproveitar o fugaz instante que passa.
  • A mente que confia nas Três Jóias.
  • A mente capaz de sacrificar a vida pelo suserano.
  • A mente que se vigia a si mesma.
  • A mente que mantém uma atitude de desprendimento.
  • A mente que conhece seus pontos negativos.
  • A mente que sempre está a postos ante os nobres e os suseranos.
  • A mente que guarda a benevolência e a justiça.
  • A mente que mantém o olhar fixo nas palavras dos Budas e Patriarcas.
  • A mente compassiva e honesta.
  • A mente que se preocupa com os objetivos supremos.

Uma vez que uma mente assim nasça da coragem, ela se mantém livre de todos os apegos, triunfa das coisas e sobe à tona.

Quando alguém mantém a mente que vem à tona, ainda que sobrevenha a morte súbita, experimentará apenas um sofrimento muito tênue. Aquele que pretender manter essa mente precisa fixar o olhar na imagem do Portador do Vajra17 e na figura Fudô18. Tais figuras expressam o triunfo sobre os demônios19. Aquele que tem um coração firme e corajoso precisa saber isso. Aquele que tem um coração fraco e temeroso não consegue ver isso. A mente corajosa e incessantemente forte e inabalável como uma fortaleza e possui as virtudes do desimpedimento e da liberdade. Ainda que um numeroso exército de demônios se precipite em atacá-la, eles não se atrevem a encará-la. Pelo contrário, perdem seu ímpeto, esgotam sua força e são completamente destruídos. Aquele que se dedica à coragem guerreira não pode deixar de cultivar essa mente. Se ele tiver uma mente fraca e temerosa e manifestar pensamentos de apego, o exército de demônios ganhará força, seu ímpeto crescerá e ele assaltará rapidamente a fortaleza da mente, seduzindo o Rei da Mente20, e exercitará os sentidos para o prazer e para o desânimo. Os demônios que se opõem ao Caminho de Buda alcançarão plena liberdade, passearão livremente pelas Dezoito Esferas da Percepção Sensorial21 e por fim essa mente se precipitará nos infernos. É necessário se prevenir cuidadosamente contra essa mente. Aqui temos vários exemplos de mentes que submergem, vencidas pelas coisas:

  • A mente esquecida de si mesma, descuidada e desprevenida.
  • A mente que se deixa absorver pelos prazeres e divertimentos.
  • A mente que desconhece as obrigações da justiça.
  • A mente que desconhece o Princípio de Causa e Efeito.
  • A mente que desconhece a impermanência e a ilusão.
  • A mente que se fixa nas honrarias e vantagens materiais.
  • A mente sofisticada e orgulhosa.
  • A mente cética e descrente.
  • A mente caprichosa e apegada às coisas.
  • A mente fraca e temerosa, destituída de coragem.
  • A mente ávida e impiedosa.
  • A mente que se preocupa com os vícios e virtudes alheias.
  • A mente soberba e apegada a si mesma.
  • A mente obcecada e ciumenta.
  • A mente indiferente aos benefícios recebidos.
  • A mente que se compraz em embustes e enganos.
  • A mente esquecida do mundo dos nascimentos e das mortes.

Além disso, existem sete emoções: alegria, cólera, preocupação, fixação, tristeza, terror e espanto. Todos os males se originam dessas sete emoções. Tais estados de espírito se originaram das trevas da ignorância e são extremamente variados, mas devem ser examinados com base nas considerações acima. Eles surgem tendo como essência apenas o apego e, por isso, quando os pensamentos instantâneos se manifestam uns em seguida aos outros, a mente se deixa levar por eles, perdendo a consciência de sua essência original, sofrendo e submergindo. Quando alguém está em estado de mente submersa e precisa enfrentar a morte, terá de padecer fortes sofrimentos.

Aquele que vence a si mesmo é sábio e aquele que se deixa derrotar por sua própria mente é ignorante. Quando alguém consegue triunfar de sua própria mente, triunfa também sobre todas as coisas e a elas domina com liberdade. Quando alguém se deixa derrotar por sua própria mente, é derrotado também pelas coisas e, dominado por elas, não consegue subir à tona. É preciso prestar atenção à mente e vigiá-la de maneira firme. Um poema diz com toda a razão:

“A mente é o embusteiro que engana a própria mente,
Tua mente não deve facilitar, confiando na própria mente.”

Aquele que deixa sua mente à vontade terá aumentados seus pensamentos de apego e se precipitará nos mundos de sofrimento. Quando alguém conseguir assassinar a mente, terá alcançado na mesma hora a Realização Búdica. Devemos fixar a atenção no velho ditado que afirma:

“Mata! Mata! Se não matares a cada instante,
Cairás no inferno, rápido como uma flecha!”

O Sutra da Meditação da Verdadeira Lei afirma:

“O sábio está sempre preocupado, como prisioneiro em sua prisão; o ignorante está sempre despreocupado e feliz, como um gênio celestial luminoso.”

Tais são as palavras de Buda. Não devemos negligenciar as advertências dos sábios do passado. Devemos ter em mente as coisas fundamentais. Para que se apegar a este corpo ilusório como sonho e mergulhar nos de sofrimento? É necessário transformar a mente a cada instante. Quando nossa mente está para se revelar em nosso rosto, é prudente se abster de se relacionar com os demais. O homem deve ter sempre um forte espírito de autocrítica, permanecer firme no ideal da honestidade, firmar o grande propósito de se libertar de todas as formas e de todos os nomes, renunciar a todas as coisas e, com o poder da confiança corajosa e da perseverança, despojar-se da própria vida e trilhar firme e rapidamente o Caminho Supremo. Se esse estado de espírito for mantido sem interrupção dia e noite, com profundidade e firmeza, na vigília e no sonho, a mente irá amadurecendo. As distinções entre sujeito e objeto desaparecerão naturalmente, o grande sonho se dissipará de uma maneira súbita e tanto a Lei Búdica quando a Lei profana serão plenamente realizadas, em todos os tempos e lugares.

b) Preceitos Diários para o Agricultor

Um agricultor perguntou:

– A Realização da Vida Eterna é importante e não pode ser negligenciada, mas os trabalhos agrícolas não me deixam tempo livre. Entregue a essa ocupação vil, estou desperdiçando minha vida presente e deverei sofrer ainda as penas futuras. Tal situação é extremamente lamentável. Como poderei chegar à Realização Búdica?

Minha resposta:

– O trabalho agrícola já é a própria prática búdica. Quando a disposição mental não é boa, converte-se numa prática desprezível. Quando a mente está plena de confiança firme e inabalável, converte-se numa ação de Bodhisattva22. É um erro pensar que precisamos de horas livres para pensar na Vida Eterna. Aquele que, desejando alcançar a Realização Búdica, permanecer almejando a realização na vida futura, atormentando seu corpo e sua mente, não obterá a Realização, nem mesmo depois de uma eternidade. É necessário enfrentar a faina penosa no frio e no calor extremos e, com arados, enxadas e foices, enfrentar nossos inimigos, o corpo e a mente, onde crescem as ervas daninhas das paixões. Eles devem ser revolvidos, limpos e cultivados com a máxima atenção e o máximo cuidado. Quando o homem se distrai, as ervas daninhas das paixões crescem e aumentam. Quando, entregando-se à faina penosa, o homem com ela adestra seu corpo e sua mente, não haverá angústia em seu coração. O agricultor que se entrega a essa Prática Búdica durante as quatro estações do ano não tem precisão de outras práticas. Mesmo aqueles que se entregam incessantemente ao culto e à veneração nos templos, caso não abandonem o apego egoísta a si mesmos, estarão praticando ações que os mantêm encadeados ao penoso mundo da ignorância, por mais excelentes e sublimes que elas sejam. A Realização Búdica e a queda nos infernos estão na mente, e não nos atos. O importante é apenas observar a honestidade e conhecer o Princípio de Causa e Efeito. Aquele que se dedica à agricultura possui uma série de méritos, ainda que os desconheça. É graças à virtude do agricultor que as Três Jóias são reverenciadas, que os deuses são cultuados e que todo o povo do país conserva sua existência. Não existe criatura que não receba seus benefícios, nem mesmo entre os animais. Como poderiam tais benefícios ficar sem retribuição? É lamentável que por causa de uma só má disposição mental o lavrador que pratica tão grandes virtudes se converta no autor de ações que o arrastam para os planos de sofrimento. É necessário conhecer a Lei e nela fixar a mente.

Aquele que nasceu como agricultor recebe dos Céus a missão de alimentar o mundo. É necessário confiar sua vida inteiramente no Caminho Celeste23, abster-se de qualquer intenção egoísta e praticar a agricultura para servir o Caminho Celeste. É necessário formular o Grande Voto de cultivar os cereais, cultuar Buda e os deuses, ajudar a conservar a vida do povo e distribuir dádivas entre todos os seres, até mesmo aos animais. A cada golpe de enxada deverá ele recitar a invocação a Amida24. Deverá integrar-se em cada golpe de foice, sem desviar os pensamentos. Desta forma, a roça se converterá na Terra Pura25 e os cereais em alimento puro, em um remédio que eliminará todas as paixões daquele que o comer. Como deixará o Caminho Celeste de proteger uma pessoa nessas condições? Aquele que permanecer com a mente plena de desejos e se dedicar à lavoura esquecendo-se dos objetivos fundamentais, fará de sua roça uma terra impura e de seus cereais um alimento impuro. É preciso conhecer o princípio segundo o qual tanto o bem como o mal acarretam as devidas conseqüências. Aquele que deixa de confiar na invocação do nome de Buda e de praticá-la com diligência e que não cultiva a coragem e a firmeza em seu coração, verá que a felicidade desaparecerá e que sobrevirão as desgraças. Será humilhado por todos, os sofrimentos nesta vida não terão interrupção e cairá nos planos de sofrimento por toda uma eternidade. Como não temerá ele tal destino?

A vida do ser humano é um sonho dentro de um sonho. Ainda que as alegrias sejam imensas, elas não deixarão de ter um fim. Aquele que tem plena consciência dos fins últimos preocupa-se com sua realização na vida futura e jamais deixa de praticar a invocação do nome de Buda com afinco, aplicando-se ao trabalho agrícola com a mente fixa no mesmo, alcançará um coração sincero e verdadeiro e a virtude da libertação das formas e dos nomes. Obterá a Grande Libertação e será um homem plenamente livre, que gozará por toda a eternidade de todas as alegrias da Terra Pura da Suprema Alegria. Como não se alegrar com tal destino? Creiam e compreendam! Creiam e compreendam!

c) Preceitos Diários para o Artesão

Um artesão perguntou:

– A Realização da Vida Eterna é uma questão fundamental, mas a prática da profissão de minha família não me deixa tempo disponível. Passo os dias e as noites trabalhando por minha subsistência. Como posso atingir a Realização Búdica?

Minha resposta:

– Todas as atividades profissionais são a própria Prática Búdica. Os homens deverão se realizar como Budas através de suas próprias atividades no mundo. Não existe nenhuma atividade que não seja a Prática Búdica. Devemos compreender que todas elas são benéficas para o mundo. O homem, que possui um Corpo de Buda e uma Natureza Búdica, não deve, entregando-se a más disposições mentais, deixar-se arrastar para os caminhos do mal. O Buda Uno do Real e da Iluminação Original se subdivide em centenas de milhões de emanações para beneficiar o mundo. Começando pelos ferreiros e carpinteiros, sem os artesãos as coisas do mundo não podem andar em ordem. Sem os guerreiros não haveria governo. Sem os agricultores não haveria alimentos no mundo. Sem os comerciantes não haveria livre circulação de mercadorias no mundo. Todas as demais profissões existem para o benefício do mundo. Alguns teorizam a respeito do Céu e da Terra, outros elaboram textos literários, outros perscrutam as vísceras e beneficiam a medicina. Existem assim inumeráveis atividades diferentes que beneficiam o mundo, mas todas elas são manifestações da Virtude do Buda Uno.

Assim, os homens possuem a preciosa e rara Natureza Búdica, mas, desconhecendo estes princípios, degradam a si mesmos e a seus corpos, entregando-se aos maus pensamentos e às más ações e ingressam deliberadamente nos caminhos do mal, sendo por isso conhecidos como homens ignorantes e profanos. Os Budas das Três Idades26 se manifestam neste mundo para apontar diretamente para o fato de que os seres viventes são Budas em potencial. Eles vêm formas com os olhos, ouvem ruídos com os ouvidos, sentem odores com o nariz e têm a liberdade de falar e pensar. A liberdade de usar as mãos e os pés é a própria liberdade do Buda Uno. Assim, buscar a Vida Eterna nada mais é do que confiar em si próprio. Aquele que realmente deseja a Realização Búdica se limita a confiar em si próprio. Uma vez que o Buda nada mais é do que a natureza de cada um, cumpre confiar na Mente Búdica. Na Mente Búdica não há desejo, cólera ou ignorância. Na Mente Búdica não há nascimento e morte, não há discriminações, não há paixões, não há más ações.

É lamentável que alguém deixe de confiar nestes princípios para manifestar desejo e cólera, entregar-se à ignorância, submeter-se noite e dia ao apego, ao orgulho, às visões errôneas e aos pensamentos enganosos, obedecendo-os como a seus senhores, abandonar-se sem descanso ao sofrimento e à agitação mental, perder a Essência Original e Verdadeira, desperdiçar esta vida e construir um grande inferno para nele permanecer por uma eternidade. É necessário temer e lamentar tudo isso, mantendo-se firme na intenção de realizar o Objetivo Fundamental, desapegar-se de todos os pensamentos e, através das atividades profissionais, praticar a Invocação Búdica com sinceridade e coragem. Com isso, conseguirá ele plena confiança no Verdadeiro Buda Interior e, à medida que seu caráter for amadurecendo, atingirá ele espontaneamente a Essência da Verdadeira Mente. Acabará ele por compreendê-la, aceitá-la e aprofundá-la e então compreenderá a vacuidade do ego e da natureza humana, ingressando no estado de total desapego da mente. O Verdadeiro Buda Interior deverá então, manifestar-se plenamente. Confiem integralmente! Confiem!

d) Preceitos Diários para os Comerciantes

Um comerciante perguntou:

– Consegui a rara oportunidade de nascer como ser humano, mas pratico a vil atividade do comércio. Minha mente se preocupa incessantemente em conseguir lucros. Lamento não conseguir avançar na trilha da Iluminação, explique-me um meio de alcançá-la.

Minha resposta:

Aquele que se ocupa do comércio deve em primeiro lugar se exercitar no sentido de desenvolver a preocupação de aumentar seus lucros. Essa preocupação nada mais é senão entregar incondicionalmente sua vida ao Caminho Celeste e estudar com afinco o caminho da honestidade. O homem honesto é beneficiado profundamente pelos Devas27, consegue a proteção dos Budas e dos Deuses, afasta as calamidades e, de maneira espontânea e natural, aumenta sua felicidade. É amado e respeitado pelas pessoas e, de uma maneira profunda, todas as coisas se realizam conforme suas intenções.

Aquele que se entrega totalmente a ambições pessoais, que estabelece distinções entre si mesmo e os demais e que intenta obter lucros passando por cima dos outros, recebe a maldição do Caminho Celeste, aumenta seu infortúnio, torna-se odiado pelo povo, não é amado nem respeitado por ninguém e nenhuma coisa se realiza conforme suas intenções.

Ser da nobreza ou da plebe, superior ou inferior, rico ou pobre, ter uma vida longa ou breve são coisas condicionadas pelas vidas passadas. Se, de maneira egoísta almejarmos conseguir honrarias e riquezas, não obteremos nenhum resultado. Em suma, aumentará a influência das más ações que nos ligará aos planos do mal, estaremos em oposição ao Caminho Celeste e certamente iremos receber a devida sanção. Devemos nos guardar temerosamente disso, abandonar todo o pensamento de desejos egoístas e nos compenetrarmos de que a tarefa do comerciante é confiada pelo Caminho Celeste ao profissional que deve promover a livre circulação de mercadorias por todo o país. Devemos confiar assim nossa vida ao Caminho Celeste, abandonar toda a idéia de obter vantagens e guardar a virtude da honestidade. Aquele que negocia dessa forma obterá a felicidade concedida pelo Céu e todas as coisas se realizarão conforme suas intenções de maneira tão espontânea e natural como o fato do fogo produzir secura e da água correr pelos declives.

Existem boas ações produzidas com sentimentos profanos e boas ações produzidas sem sentimentos profanos. As boas ações produzidas com sentimentos profanos são aquelas efetuadas quando o homem toma como seu tesouro este corpo irreal sujeito ao nascimento e à morte num mundo ilusório e impermanente, sem se desligar das idéias de permanência e substancialidade. Aquele que as pratica consegue atingir um alto grau de felicidade e chega às culminâncias do prazer, mas chegará um momento em que aquelas condições se extinguirão, fazendo-o cair com certeza nos caminhos do mal. É como uma flecha lançada ao céu que volta a cair em direção à terra quando se esgota o impulso que lhe foi dado pelo arco. Assim, não devemos nos comprazer com as boas ações produzidas com sentimentos profanos.

As boas ações produzidas sem sentimentos profanos são condições propiciadoras da Suprema Realização. A mente que busca a Suprema Realização contempla as verdades da impermanência e da originação dependente e fixa olhar no fato de que os Três Mundos não oferecem repouso, uma vez que são semelhantes a uma casa incendiada. Ela não se fixa no plano das coisas contingentes e impermanentes e busca o Prazer Maravilhoso do Nirvana . Nisso consiste a prática das boas ações sem sentimentos profanos. Assim, a prática do comércio deve ser feita com base na firme intenção de convertê-la numa boa ação sem sentimentos profanos. Guardando os princípios ensinados através das parábolas elucidadoras, deve o comerciante encorajar sua confiança na mente, abandonar totalmente sua vida ao mundo e, visando servir plenamente o país e o povo, transportar os produtos de sua província para as demais províncias e trazer para a sua própria os produtos das outras. Deve negociar por províncias e estradas distantes, visando agir de acordo com a expectativa das pessoas. Deve ele ter em mente que percorrer as províncias com tal estado de espírito nada mais é do que uma prática espiritual que elimina as más conseqüências das ações passadas. Atravessando as montanhas adestrará ele seu corpo e sua mente, transpondo rios grandes e pequenos a purificará. Ao navegar pelo vasto e profundo oceano praticará a invocação do nome de Buda, colocando sua vida em total disponibilidade. Contemplará então, a sua vida como sendo semelhante a uma viagem pelo mundo fugaz e impermanente. Ao negociar com a mente liberta de todo o apego e sem desejos egoístas, será defendido pelos Devas , receberá as graças das divindades, terá lucros consideráveis e se tornará um homem pleno de felicidade. Superará de muito os ricos e alcançará a plena confiança na mente, de maneira corajosa e inquebrantável. Quer andando, sentado, em pé ou deitado, estará em permanente estado de contemplação. Sua Mente Búdica amadurecerá naturalmente e alcançará o Prazer Maravilhoso do Nirvana, ou seja, se transformará num homem plenamente livre, sem impedimentos, capaz de percorrer sozinho o Céu e a Terra. Por toda a eternidade gozará de uma alegria incomparável. Mantenham isto com firmeza! Mantenham!


Que todas as virtudes provenientes deste trabalho revertam em benefício de todos os seres viventes e que possamos todos juntos realizar o Caminho de Buda.


1. Citação do Nehangyô (Sutra do Nirvana), importante escritura do Grande Veículo.

2. O Mundo dos Desejos, o Mundo das Formas e o Mundo da Não-Forma, ou seja, a tríplice divisão do mundo profano e relativo, segundo a concepção budista de Cosmos.

3. Do sânscrito pravajita , japonês shukke , literalmente “deixar a casa ou o lar” (com o objetivo de se tornar monge).

4. Deuses do panteão hinduísta introduzidos no Budismo como deuses guardiões da Lei da Buda, dos templos e das Três Jóias: Buda, o Mestre; o Dharma, a Lei ou Doutrina; e o Sangha, a Comunidade Budista.

5. As Cinco Virtudes do Confucionismo: Fidelidade, Piedade Filial, Amor, Respeito e Benevolência.

6. A discriminação e o apego.

7. O paraíso do Buda Amida, situado no Ocidente, no qual esperam renascer os devotos do Budismo da Escola da Terra Pura ou Amidismo.

8. A consciência que se manifesta como resultado do karma , isto é, do acúmulo das conseqüências das ações boas ou más praticadas no passado.

9. Harmonia da ação, da palavra e do pensamento, da obediência aos preceitos, dos pontos de vista e da utilização de recursos materiais, que devem existir entre os praticantes do Budismo.

10. Os benefícios recebidos do Universo, do Mestre, do Estado e dos Pais.

11. Os habitantes dos Mundos do Desejo, da Forma e da Não-Forma.

12. A Unidade da Vida e do Ser, que está além de todas as divisões e discriminações, o Nirvana , o Absoluto.

13. O desejo, a cólera e a ignorância.

14. Rio mítico que serve de fronteira entre o mundo dos vivos e o dos mortos.

15. Divindade que exerce a função de juiz dos mortos, segundo uma tradição hindu absorvida pelo Budismo e desenvolvida na China.

16. Entenda-se: vem à tona do estado de sofrimento, aliviando-se momentaneamente, mergulhando de novo no mesmo, mais tarde.

17. O texto se refere às imagens dos Guardiões dos portões dos templos, figuras de aspecto belicoso e terrível, que portam em suas mãos o Vajra , cetro simbólico usado nos rituais do Budismo Esotérico, que expressa a Suprema Iluminação, sólida como o diamante e súbita como o raio, a arma suprema que destrói as paixões.

18. FUDÔ MYÔ-Ô , divindade do Budismo Esotérico, de aspecto ameaçador e terrível; porta uma espada na mão direita e um laço na esquerda; simboliza a força da mente que combate as paixões negativas e delas triunfa.

19. As paixões que impedem a realização plena do ideal budista de sabedoria e libertação.

20. A totalidade psíquica, o conjunto de funções mentais que compõem a consciência de si mesmo.

21. Conjunto formado pelos seis órgãos sensoriais (os cinco sentidos e a mente), pelos seus seis objetos (formas, sons, odores, sabores, percepções táteis e idéias) e pelas seis consciências (da visão, audição, etc.). Em suma, trata-se do universo físico e psíquico, encarado do ponto de vista epistemológico, tal como o percebe o sujeito do conhecimento.

22. Asceta budista que pratica virtudes, visando a plenitude na Compaixão e na Iluminação.

23. O Princípio Supremo que rege o Universo segundo o Confucionismo.

24. Forma japonesa de Amitabha ou Amitayus , o Buda da Luz e Vida Imensuráveis, principal divindade do Amidismo, escola budista devocional muito difundida entre os camponeses do Japão.

25. O paraíso prometido por Amida a seus fiéis.

26. O Presente, o Passado e o Futuro.

27. Divindades tutelares do Budismo, de procedência hinduísta.